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Elogio do Subúrbio, in Livro de Crónicas, António Lobo Antunes

Cresci nos subúrbios de Lisboa, em Benfica, então quintinhas, travessas, casas baixas, a ouvir as mães chamarem ao crepúsculo - Vííííííííítor, num grito que, partido da Rua Ernesto da Silva, alcançava as cegonhas no cume das árvores mais altas e afogava os pavões no lago sob os álamos. Cresci junto ao castelito das Portas que nos separava da Venda Nova e da Estrada Militar, num país cujos postos fronteiriços eram a drogaria do senhor Jardim, a mercearia do Careca, a pastelaria do senhor Madureira e a capelista Havaneza do senhor Silvino, e demorava-me à tarde na oficina de sapateiro do senhor Florindo, a bater sola num cubículo escuro rodeado de cegos sentados em banquinhos baixos, envoltos no cheiro de cabedal e miséria que se mantém como o único odor de santidade que conheço...


Eurico, o Presbítero, Alexandre Herculano


Quando a sua pátria e a sua religião se veem ameaçadas, Eurico, um jovem guerreiro de origens humildes, disfarça-se num misterioso cavaleiro negro e junta-se ao exército de um dos reinos visigóticos para combater os mouros que estão a invadir a Península Ibérica, e quando descobre que o seu amor, a princesa Hermengarda, foi raptada pelas forças inimigas, tudo fará para a salvar. Publicado em 1844, esta história de um amor impossível durante a queda dos reinos Visigodos da Península Ibérica, tem a particularidade de ser um dos primeiros romances históricos da literatura portuguesa e ainda é o melhor representante literário deste género em Portugal e na língua portuguesa.



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