Ebooks - O

(O) Alienista, Machado de Assis




A narrativa começa com a volta do Dr. Simão Bacamarte à sua terra natal, Itaguaí. Ele tem por objetivo dedicar-se inteiramente à ciência, passando a estudar a loucura humana. Torna-se obcecado pelo tema e funda seu próprio manicómio, a Casa Verde. O médico continua seus trabalhos envolvendo loucura e, subitamente, aceita a teoria de que onde não há razão, supostamente há desequilíbrio mental. Decide expô-la ao padre Lopes e este não concorda com a ideia, achando-a uma ameaça à tranquilidade da cidade...




(O) Assassino de Macário, Camilo Castelo Branco (Teatro) 



Macário é um playboy incorrigível e numa das suas muitas conquistas acaba por se comprometer com a mulher errada pois promete casar-se com ela desconhecendo o quanto poderoso, influente e violento é o pai dela, que até tem assassinos a soldo. Para escapar da fúria de tal potencial sogro só vê uma solução: falsear a sua morte. Só que o seu plano aparentemente perfeito tem um revês: não contou com a resiliência da noiva que tudo faz para encontrar o assassino do seu amado para o vingar.



(O) Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente (Teatro)


Auto da Barca do Inferno é um auto que nos diz que, após a morte, vamos parar a um rio que havemos de atravessar e poderá ser na barca do inferno ou na do céu. Cada barca tem seu arrais e ambos esperam os tripulantes. O primeiro a chegar é um fidalgo, a seguir: um onzeneiro, um parvo, um sapateiro, um frade, uma alcoviteira, um judeu, um juiz, um procurador, um enforcado e quatro cavaleiros. Um a um aproximam-se do Diabo, carregando o que na vida lhes pesou. Perguntam para onde vai a barca, mas ao saber que vai para o inferno ficam horrorizados e dizem-se merecedores do Céu. Aproximam-se, então, do Anjo, que os condena ao inferno pelos seus pecados. O Fidalgo, o Onzeneiro, o Sapateiro, o Frade (e sua amante), a Alcoviteira (Brísida Vaz) o Judeu, o Corregedor (juiz), o Procurador e o Enforcado são todos condenados ao inferno pelos seus pecados. Apenas o Parvo é absolvido pelo Anjo. Os Cavaleiros nem sequer são acusados, pois deram a vida pela Igreja.

(O) Banqueiro Anarquista e Outros Contos Filosóficos, Fernando Pessoa

Em Dezembro de 1935, poucos dias depois da morte de Fernando Pessoa, ao ser revisto o seu apartamento onde vivera nos últimos anos da sua vida, descobriu-se algo surpreendente: uma arca contendo mais de 25 mil páginas, com poemas, contos, correspondência, diários, peças dramatúrgicas, documentos esotéricos, projetos literários inacabados e uma infinidade de tantos outros textos que aprofundam mais o enigma e a génio de Fernando Pessoa.
Deste espólio (considerado tesouro nacional em 2009) já saíram vários trabalhos que Fernando Pessoa nunca chegou a publicar em vida – sendo o mais importante deles, o já famoso “Livro do Desassossego” – e ainda hoje continuam a sair publicações com inéditos de Pessoa, compilados a partir de um extenuante trabalho de organização das imensas páginas dispersas.


(O) Barão de Lavos, Abel Botelho

A vida e queda de Sebastião, o Barão de Lavos, que se apaixona, um dia, por um jovem vendedor de rua. Com o intuito de aprofundar a sua relação com o rapaz, acolhe-o e educa-o nas artes e nas convenções da alta sociedade de modo a integra-lo nos círculos sociais da nobreza e da elite lisboeta, ignorando todos os riscos e perigos que sobre si recairiam com tais atos. Publicado em 1891, o Barão de Lavos é um dos romances da série intitulada “Patologia Social” em que Abel Botelho – seguidor do chamado neo-realismo – explora, expõe e põe em claro, fenómenos sociais do final do século XIX até então ignorados pela sociedade ou romantizados de uma forma não credível. O Barão de Lavos é o primeiro livro dessa série que abre logo com temas inéditos na literatura portuguesa até então: A homossexualidade e a pedofilia.


(O) Cavaleiro da Dinamarca, Sophia de Mello Breyner Andresen 

O Cavaleiro da Dinamarca é um livro da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919−2004), editado em Portugal em 1964.
A obra conta a história de um homem (cavaleiro) que vivia com a sua família e com os seus criados numa floresta da Dinamarca, no Norte da Europa. Numa noite de Natal, durante a ceia, quando todos estavam reunidos à volta da mesa, a comer e a contar histórias, o cavaleiro comunicou-lhes que iria partir em peregrinação à Terra Santa, para orar na gruta onde Jesus de Nazaré tinha nascido e que, dessa noite a um ano, estariam juntos de novo a festejar o Natal.
Na Primavera seguinte partiu e, levado por bons ventos, chegou muito antes do Natal às costas da Palestina, onde visitou todos os locais sagrados relacionados com a vida de Jesus. Já de regresso à Dinamarca, uma tempestade violentíssima...



(O) Conto da Ilha Desconhecida, José Saramago

Extrato: 
"Narrador: Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe:


Homem do barco: Dá-me um barco.

Narrador: A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar a porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança, as pessoas começavam a murmurar:

Pessoas do reino (murmurando): Que rei temos nós, que não atende?"



(O) Coração Disparado, Adélia Prado 

Extrato: “Na cama larga e fresca um apetite de desespero no meu corpo. Uivo entre duas mós. Uivo o quê? A mão de Deus que me mói e me larga na treva. Na boca de barro, barro. Quando era jovem pedia cruz e ladrões pra guarnecer meus flancos. Deus era fora de mim. Hoje peço ao homem deitado do meu lado: me deixa encostar em você pra ver se eu durmo.”





(O) Crime do Padre Amaro, Eça de Queirós


A história de Amaro, um jovem padre que entrara para a vida eclesiástica graças à imposição de uma nobre beata que o tinha sob sua guarda. Sem vocação nenhuma, o jovem padre aceita o seu destino passivamente, abraçando a sua profissão sem entusiasmo. Destacado em Leiria, conhece Amélia que lhe desperta a paixão e a luxúria, levando-o a trair os votos de castidade proferidos na sua ordenação. Grande marco do Realismo em Portugal, publicado originalmente em 1875, O crime do padre Amaro  é a obra mais polémica de Eça de Queirós que levou a que houvesse grandes protestos por parte da Igreja Católica, não só dentro de Portugal, mas também do próprio Vaticano.



(O) Diário de Um Mago, Paulo Coelho

O livro conta a jornada de três meses de Paulo Coelho em peregrinação pelos quase setecentos quilómetros que separam o sul da França, onde teve o início da caminhada, da cidade de Santiago de Compostela, na Galiza.
A obra relata a saga de Paulo Coelho que busca pelos mistérios sagrados da magia, seu encontro com um mago italiano, Petrus, que é seu guia, as experiências místicas conhecidas como As Práticas de Ram (Regnus Agnus Mundi) e a passagem por um dos três caminhos sagrados da antiguidade: O Caminho de Santiago de Compostela. Nessa obra, Paulo Coelho retrata com muita perfeição todas as suas experiências pelo caminho.



(O) Dominó Preto, Florbela Espanca

Escrito por Florbela em 1927, quatro anos antes de outro livro de contos “Máscaras do Destino”, no entanto só publicado em 1982, 50 anos após a sua precoce morte, devido a disputas de partilhas dos direitos de autor.
Desiludida por não ter, na altura, encontrado uma editora que publicasse o seu livro de poemas “Charneca em Flor” (que viria depois a dar-lhe fama) , Florbela Espanca decide abandonar por uns tempos a Poesia e ingressar na Prosa através da forma do Conto – decisão muito provavelmente impulsionada pelo seu trabalho de tradutora de romances franceses que assumira naquele ano.


(O) Judeu, Camilo Castelo Branco

História da vida trágica de António José da Silva, o mais famoso dramaturgo português do seu tempo que acabaria posteriormente por morrer na fogueira às mãos da Inquisição. Publicado em 1866, a obra “O Judeu” de Camilo Castelo Branco é um romance histórico de homenagem àquele que se tornou na figura representativa dos milhares de judeus portugueses que morreram pela Inquisição entre 1540 e 1794, em Portugal.
António José da Silva, a que a história apelidaria como “O Judeu”, nasceu no Rio de Janeiro em 1705, numa família de origem judaica erradicada no Brasil cujos membros se proclamavam como “cristãos novos”, ou seja judeus que tinham renegado a sua fé e se tinham convertido ao cristianismo.

(O) Livro de Cesário Verde, Cesário Verde

O livro que reúne as poesias de Cesário Verde, o chamado “Poeta Deambulatório” – que passeia, vê e escreve versos daquilo que observa. Este compêndio, editado pela primeira para o público em 1901, fez famoso Cesário Verde, tornando-o num dos mais importantes poetas portugueses, visto como o primeiro precursor da poesia moderna que seria feita em Portugal no século XX. Infelizmente, Cesário nunca veria o efeito do impacto dos seus poemas revolucionários ou gozaria dos louros do seu trabalho pois quando a fama lhe bateu às portas, Cesário já tinha morrido há 15 anos, de tuberculose, com apenas 31 anos de vida.




(O) Mercador de Livros Malditos, Marcello Simoni

Uma incursão apaixonante pela história. Uma viagem no tempo até à época medieval.
É quarta-feira de cinzas do ano de 1205. O padre Vivïan de Narbonne é perseguido por um grupo de cavaleiros que ostentam estranhas máscaras. O padre possui um bem muito precioso que precisa de proteger a todo o custo, mesmo que tal possa significar a sua morte... Treze anos passaram sobre este dia tenebroso... O amigo do padre, Ignazio de Toledo um mercador de relíquias, é encarregado de seguir o rasto de um livro raro, o Uter Ventorum. Diz-se que essa cópia de certos manuscritos persas pode conter o método de evocar os anjos e a sua divina sabedoria.






(O) Mistério da Estrada de Sintra, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão

Um médico que está a passar de carruagem numa estrada de Sintra é surpreendido e sequestrado por quatro figuras mascaradas que o levam para uma misteriosa casa no meio de Sintra. Lá dentro encontrava-se o cadáver de um homem. Daqui se levantam várias perguntas: Quem era aquele homem; como morreu e quem o matou. A procura de respostas a este caso leva a uma empolgante história de intriga,  suspeitas, ameaças, duelos e sexo, numa viagem que vai de Portugal à ilha de Malta. Considerada a primeira obra portuguesa de cariz policial o “O Mistério da Estrada de Sintra” guarda ainda o interesse histórico de fazer parte de uma estratégia usada pelos seus autores – Eça de Queirós e Ramalho Ortigão – para enganar os leitores levando-os a pensar que se tratava de um caso real, tal como faria 68 anos depois Orson Welles no seu relato por rádio da “Guerra dos Mundos”.


(O) Primo Basílio, Eça de Queirós

Luísa, presa a um casamento sem amor e a um marido constantemente ausente em trabalho, encontra um meio de escape da sua vida rotineira, puritana e conservadora, ao envolver-se amorosamente com o seu primo Basílio, um seu antigo namorado, que fez fortuna no Brasil e que chegara recentemente a Lisboa. Após criticar fortemente a mentalidade ultra-religiosa da província portuguesa do século XIX com a sua obra “O Crime do Padre Amaro” e de escandalizar o país com um tema tão controverso que enraiveceu a Igreja, Eça de Queirós volta a cometer o mesmo feito, quebrando novos tabus literários, somente três anos depois, em 1878, com a publicação da sua obra “O Primo Basílio”; desta vez tendo a classe média, burguesa e citadina, como figura de crítica e tendo o Adultério como tema controverso.

(O) Último Grimm, Álvaro Magalhães (Conto)

Conheces os irmãos Grimm? Os contos dos irmãos Grimm? Então ouve a história dos irmãos Zimmer, dois jovens ingleses, seus descendentes, que, duzentos anos depois, estão prestes a descobrir o segredo escondido por detrás dessas histórias.
Durante as férias de Verão, na Cornualha, William Zimmer descobre que herdou o dom secreto de Wilhelm Grimm, e também o seu destino extraordinário. Agora ele sabe que o Outro Lado anseia pela sua chegada, porque o dobro da vida é o que espera um novo "Grimm", que é outro nome para "aquele que vê".
O que acontece às histórias quando ninguém está a olhar para elas? Abre este livro e ficarás a saber. E verás: ladrões de tempo, uma pedra que fala, uma fábrica de nada, um livro que se escreve por si, um bolinho de tempo que sabe a tempo e nos faz ver as coisas como elas são, ou uma dor cor-de-rosa, que dói maravilhosamente. E ainda: duendes, fadas, unicórnios, ogres, ciclopes, espíritos inquietos, uma princesa nascida da rosa e um reino de escuridão e pensamento governado por uma criança, embora terrível. Há muitas histórias à espera de serem contadas e esta é a primeira de todas: a do último "Grimm".



(Os) Fidalgos da Casa Mourisca, Júlio Dinis

Os Fidalgos da Casa Mourisca conta a história dos “fidalgos de Vilar dos Corvos”, uma família abalada por várias tragédias que vive numa antiga mansão localizada no Alto Minho, apelidada de “Casa Mourisca”. Último romance de Júlio Dinis, publicado postumamente em 1871. Os Fidalgos da Casa Mourisca foi escrito como um romance de crónica de aldeia, típico de Júlio Dinis, mostrando uma sociedade em mudança: de um lado, um velho solar quase desabitado, propriedade de uma aristocracia em decadência, representada por D. Luís, o dono da “Casa Mourisca”, do outro, uma nova burguesia rural, representada por Tomé da Póvoa, um antigo empregado de D. Luís que enriquecera.
A obra afirma o valor do trabalho como fonte de riqueza e felicidade, propondo como receita para a regeneração social, a fusão das qualidades positivas da aristocracia com as da burguesia que estava então em ascensão.



(Os) Maias, Eça de Queirós


A história de três gerações da família Maia, uma família aristocrata da sociedade Lisboeta da segunda metade do séc. XIX. Uma obra que serve de pretexto para o autor fazer uma crítica à situação do país a nível político e cultural e à alta burguesia lisboeta oitocentista, por onde perpassa um humor (ora caricatural, ora satírico) que configura a derrota e o desengano de todas as personagens. É a obra-prima de Eça de Queirós, publicada em 1888, e uma das mais importantes de toda a literatura narrativa portuguesa. É um romance realista (e naturalista) onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprias do enredo passional.



(Os) Poemas Completos de Álvaro de Campos, Fernando Pessoa

Antologia poética do heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, que reúne toda composição poética assinada com o seu nome. Álvaro de Campos é um dos heterónimos mais conhecidos de Fernando Pessoa e, tirando Bernardo Soares, talvez o alter ego que mais se aproxima de Fernando Pessoa ortónimo.
Engenheiro naval e viajante, Álvaro de Campos é configurado “biograficamente” por Pessoa como vanguardista e cosmopolita, espelhando-se este seu perfil particularmente nos poemas em que exalta, em tom futurista, a civilização moderna e os valores do progresso. Cantor do mundo moderno, o poeta procura incessantemente “sentir tudo de todas as maneiras”, seja a força explosiva dos mecanismos, seja a velocidade, seja o próprio desejo de partir. “Poeta da modernidade”, Campos tanto celebra, em poemas de estilo torrencial, amplo, delirante e até violento, a civilização industrial e mecânica, como expressa o desencanto do quotidiano citadino, adotando sempre o ponto de vista do homem da cidade.



(Os) Tripeiros, António José Coelho Lousada

A história de uma lenda. Uma lenda envolta em factos históricos e que nos conta como os habitantes do Porto ganharam a alcunha de “tripeiros”. Corria o ano de 1384. O Reino de Castela, aproveitando a disputa pelo trono português deixada com a morte de D. Fernando I, invade Portugal tomando de assalto as cidades mais importantes do país: Lisboa, Porto e Coimbra. Sitiadas as cidades e isoladas umas das outras, coube aos cidadãos arranjarem meios de lutar com os seus próprios meios e sem contar com a ajuda externa. Foi a cidade do Porto a primeira a conseguir livrar-se dos invasores, fazendo jus ao cognome que séculos depois lhe atribuíram e que D. Maria II ratificou: a Cidade Invicta, ou seja, a não conquistada, devido aos múltiplos feitos valorosos dos seus habitantes que sempre souberam resistir aos invasores, fossem eles espanhóis, franceses e ingleses; e de ser sempre o último bastião de proteção do reino em guerras civis.

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