Ebooks - A

(A) Aia, Eça de Queirós

Um rei jovem e valente partira a batalhar por terras distantes, deixando só e triste a rainha e um filho pequeno. Desafortunadamente, o rei  perdeu a vida numa das batalhas e foi chorado por sua esposa. Sendo herdeiro natural do trono, o bebé estava sujeito aos ataques de inimigos dos quais e destacava o seu tio, irmão bastardo do rei morto que vivia num castelo sobre os montes, com uma horda de rebeldes. O pequeno príncipe era amamentado por uma aia, mãe de um bebé também pequeno. Alimentava os dois com igual carinho pois um era seu filho e outro viria a ser seu rei. A escrava mostrava uma lealdade sem limites...


(A) Ala dos Namorados, António Campos Júnior 

Romance histórico e épico sobre o famoso grupo de jovens cavaleiros que formaram a ala esquerda da armada portuguesa na batalha de Aljubarrota e que pelos seus feitos na batalha se distinguiram. Foram chamados de “Ala dos namorados” por terem idades entre os 18 e os 25 anos, nenhum deles casado, e por serem ousados, um pouco inconsequentes mas destemidos e aventureiros, muitos dos quais viriam a tornar-se nos maiores heróis da cavalaria medieval portuguesa. Corria o ano de 1383.
O rei D. Fernando I, acabara de morrer com apenas 37 anos, vítima de doença. A sua única herdeira, Beatriz, era apenas uma criança de 10 anos de idade mas, inconsequentemente, já tinha sido mandada para fora do país para ser tomada como esposa do Rei de Castela...


(A) Caveira da Mártir, Camilo Castelo Branco 



Um nobre alemão, que tem na sua posse um cofre com uma misteriosa caveira, procura desvendar os segredos da história da sua família. A verdade por detrás de tal caveira leva-o a descobrir eventos que ocorreram em Lisboa a 1733. Publicado em 1876, o romance “A Caveira da Mártir” foi um dos maiores sucessos comerciais da carreira literária de Camilo Castelo Branco, quando ainda era vivo e, tal como muitas das obras camilianas, é baseada em casos reais e históricos. Mas, ao contrário de outros romances, que seguem somente uma história linear, aqui é explorado um entrelaçado de histórias, interligadas pelas acções e domínio da Santa Inquisição na justiça portuguesa e da aplicação da pena capital.



(A) Cidade e as Serras, Eça de Queirós



A Cidade e as Serras, conta-nos a história de Jacinto, um indivíduo de posição social elevada e extremamente rico,que, tendo vivido uma existência de tédio em Paris, apesar de rodeado por todo o conforto, decide mudar-se para sua propriedade rural de Tormes, na serra portuguesa, encontrando aí o equilíbrio e a felicidade. Um romance de Eça, pertencente à última fase do escritor, que é caracterizada pela pacificação do artista, pela sua visão mais optimista, pelo corte com a corrente literária do realismo e o abandono do tipo de romance crítico.

O livro foi editado postumamente, em 1901, e denuncia um aspecto importante da vida do escritor nos seus últimos anos de vida nos quais Eça escreveu várias cartas aos seus amigos em que denuncia essa ânsia por uma vida de família que o retempere do «descampado do sentimentalismo» de que estava cansado. Nesse contexto Queirós faz uma comparação entre a vida módica e agitada de Paris  (cidade em que viveu desde 1895, exercendo o cargo de cônsul, até à sua morte em 1900) e a vida tranquila e pacata na cidade serrana de Tormes num percurso de regresso às origens. É pois um romance que assume várias conotações simbólicas ideológicas e simbólicas sobretudo a oposição cidade-campo.


(A) História de Dona Redonda e da Sua Gente, Virgínia de Castro Almeida

Publicada em 1942, esta obra têm a particularidade de ser o primeiro romance de literatura fantástica infantil de um autor português e faz parte de uma série de dois livros.
Chico, ao passear um dia na sua bicicleta pelas imediações de uma floresta, encontra dois meninos a brincar. Franz (um rapaz alemão) e Dick (um rapaz inglês), são duas das muitas crianças de toda a Europa que foram mandadas, pelos pais, para Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, pois o país posicionara-se como neutro ao conflito e apresentava-se como um local seguro a ataques armados. Completamente alheios à guerra dos pais, as crianças brincam entre si e acabam por entrar pela floresta adentro. Sem se aperceberem, entram num mundo diferente, fantástico, povoado por personagens estranhas, como dragões voadores, robôs amáveis e animais falantes. Como uma espécie de matriarca desse mundo vive aí a Dona Redonda que em companhia dos rapazes, da sua amiga Dona Maluka e de uma menina de cor chamada Zipriti, vai viver uma série de peripécias mirabolantes.
(Ver também Aventuras de Dona Redonda)

Alma Nova, Guilherme de Azevedo (Poesia)

A mais conhecida obra poética de Guilherme de Azevedo, um dos “poetas revolucionário” da chamada “Geração de 70” (de 1870), que é no fundo uma coletânea dos seus melhores poemas. Obra poética que marca bem a rutura  da poesia sentimentalista e romântica para a “Poesia de Combate”, assim chamada pela “Geração de 70” ou “Geração de Coimbra”, que foi um movimento académico de Coimbra, do século XIX, que veio revolucionar várias dimensões da cultura portuguesa, da política à literatura, sobretudo com a introdução do “Realismo” literário.


Amor a Céu Aberto, Flora Figueiredo (Poesia) 

Eis uma coletânea de poemas de forte contemporaneidade. Nela a temática se propõe revestida dos sinais que ligam o leitor aos objetos do cotidiano. Vejam-se os poemas Leite Moça e Fax, que se abre notavelmente: “Avise ao mundo que estou para chegar.” Leve e alegre ironia controla o transbordamento sentimental: “Embarco num ponto de exclamação!”, diz o poema Pontuação. Há quem sustente que a poesia é justamente o campo da exclamação. Aqui o coloquial desmonta o aparato da retórica melodramática: “não sei nadar, nem falo alemão”, diz a poeta em Ao leitor desconhecido. E Flora Figueiredo não se contenta com a parte confessional de suas composições. Abre as janelas para exprimir seu espanto vivencial, ao traduzir o convívio com os outros. É por aí que a dimensão social se anuncia. O poema A fila celebra um dos traços da massificação programada. E, em Tema antigo, ela introduz uma singularidade que tem amplitude global, ao simbolizar o estrato excluindo dos favores da civilização:  “Mas caco de vidro, cuspe, navalha, boné / malandro, menino, bandalho, Zé".


Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco

Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, dois jovens enamorados de famílias rivais da cidade de Viseu do século XIX, mantêm um namoro proibido com consequências trágicas e mortais, não apenas para ambos mas também para aqueles que os rodeiam.A mais popular obra de Camilo Castelo Branco, que lhe conferiu fama, popularidade e que o consagrou como um dos mais relevantes escritores românticos portugueses. Foi escrita, segundo o autor, em apenas 15 dias, no ano de 1861, enquanto esteve preso na cadeia da Relação, na cidade do Porto, por se ter envolvido num escândalo de adultério. É um romance claramente inspirado  na trágica história de Romeu e Julieta de Shakespeare, enquadrado à época do autor, com alguns elementos autobiográficos e descrições de costumes e hábitos sociais da altura.


Antes de Começar, Almada Negreiros (Teatro)


Antes de Começar, conta-nos a conversa entre duas marionetas que, ao descobrirem que se podem “mexer como as pessoas”, se vão a pouco e pouco descobrindo também a si próprios, momentos antes de começar o espectáculo que fazem parte. Curta peça de teatro publicada em 1919 e vencedora desse ano do Prémio Francês para o melhor texto infantil. “Antes de Começar” é uma “viagem ao universo de Almada Negreiros” que possui uma grande magia e uma enorme carga poética, e onde se valoriza a beleza da recompensa da entrega à amizade e ao amor.





Antologia Poética, Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um “legado da língua portuguesa ao mundo”. Considera-se que a grande criação estética de Pessoa foi a invenção heteronímica que atravessa toda a sua obra. Os seus heterónimos, diferentemente dos pseudónimos, são personalidades poéticas completas: identidades que, em princípio não existentes, tornam-se verdadeiras através da sua manifestação artística própria e diversa do autor original.



(A) Pérola, John Steinbeck

Baseada num conto popular americano, A Pérola constitui uma inesquecível parábola poética sobre as grandezas e as misérias do mundo tão contraditório em que vivemos. É assim, a história comovente de uma pérola enorme, de como foi descoberta e de como se perdeu… levando com ela os sonhos bons e maus que representava, mas é também a história de uma família e da solidariedade especial entre uma mulher (Juana), um pobre pescador índio (Kino) e o filho de ambos (Coyotito).






(A) Ruiva e Outras Histórias, Fialho de Almeida





Volume de contos de Fialho de Almeida. O conto mais longo, e porventura o mais interessante, “A ruiva”, ficciona um caso patológico, muito ao gosto da corrente literária naturalista: Catarina, a protagonista, filha de um coveiro bêbado e órfã de mãe, aprende sobre o que é a sensualidade e o vício com os cadáveres e no ambiente sórdido do seu bairro, até que lhe inculcam um amante, João. Depois cai na prostituição e acaba ...




(A) Saga, Sophia de Mello Breyner Andersen (Conto)




(O) Assassino de Macário, Camilo Castelo Branco (Teatro) 



Macário é um playboy incorrigível e numa das suas muitas conquistas acaba por se comprometer com a mulher errada pois promete casar-se com ela desconhecendo o quanto poderoso, influente e violento é o pai dela, que até tem assassinos a soldo. Para escapar da fúria de tal potencial sogro só vê uma solução: falsear a sua morte. Só que o seu plano aparentemente perfeito tem um revês: não contou com a resiliência da noiva que tudo faz para encontrar o assassino do seu amado para o vingar.





("As) Minhas Asas", Almeida Garrett (Poema)


João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática...



(As) Pupilas do Sr. Reitor, Júlio Dinis


A história dos amores e dos desencontros das órfãs Clara e Guida educadas por um velho pároco, no cenário da vida campestre portuguesa do século XIX. Cenário este, povoado por personagens cuja bondade só é maculada pelo moralismo quase ingénuo de “comadres intriguistas” que contribuem para o conflito amoroso. 
Júlio Dinis apresenta-nos a sua visão bucólica,  pitoresca e romântica da vida, não descrevendo as dificuldades da vida campesina, não fazendo denúncias de foro social ou criticando costumes e mentalidades, como fazia Eça de Queirós, praticamente na mesma altura. No entanto, o romance, “As Pupilas do Sr. Reitor” tal como os seguintes, revela um profundo conhecimento do autor relativamente a hábitos locais, expressões e costumes próprios do cenário que descreve, isto porque Júlio Dinis criava efetivamente narrativas de lugares que conhecia e amava, (neste caso, a zona de Ovar), sem quaisquer pretensões de agitar ou modelar consciências, mas apenas de entreter e de deleitar. 



(O) Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente (Teatro)


Auto da Barca do Inferno é um auto que nos diz que, após a morte, vamos parar a um rio que havemos de atravessar e poderá ser na barca do inferno ou na do céu. Cada barca tem seu arrais e ambos esperam os tripulantes. O primeiro a chegar é um fidalgo, a seguir: um onzeneiro, um parvo, um sapateiro, um frade, uma alcoviteira, um judeu, um juiz, um procurador, um enforcado e quatro cavaleiros. Um a um aproximam-se do Diabo, carregando o que na vida lhes pesou. Perguntam para onde vai a barca, mas ao saber que vai para o inferno ficam horrorizados e dizem-se merecedores do Céu. Aproximam-se, então, do Anjo, que os condena ao inferno pelos seus pecados. O Fidalgo, o Onzeneiro, o Sapateiro, o Frade (e sua amante), a Alcoviteira (Brísida Vaz) o Judeu, o Corregedor (juiz), o Procurador e o Enforcado são todos condenados ao inferno pelos seus pecados. Apenas o Parvo é absolvido pelo Anjo. Os Cavaleiros nem sequer são acusados, pois deram a vida pela Igreja.


Auto da Índia, Gil Vicente (Teatro)

Constança, insatisfeita com as longas ausências do marido que a deixa sozinha quando ele parte em viagens até à Índia, adota uma vida libertina, tomando para si vários amantes. Apresentado pela primeira vez no ano de 1509, em Almada, perante a rainha D. Leonor, foi uma das primeira peças de teatro da Península Ibérica a ter uma intriga, ao invés de ser apenas um mero monólogo teatral recitado por um individuo, como era feito até então nas cortes palacianas. Foi também a primeira “Farsa” escrita por Gil Vicente, ou seja, uma sátira social que mistura comédia e crítica aos maus costumes.


Aventuras de Dona Redonda, Virgínia de Castro Almeida

Novas aventuras no mundo de Dona Redonda e com novos visitantes. Iria, Bruno e o seu cavalo Caracol entram, um dia, por uma floresta e vão ter a um mundo bizarro e mirabolante onde acabam por conhecer a Dona Redonda e várias outras personagens já conhecidas como a Dona Maluka, Ziprit, o Dragão chamado Mostrengo e outras tantas personagens novas. O segundo e último livro da série “Dona Redonda” de Virgínia de Castro e Almeida, publicado em 1943. Tal como na obra anterior, a autora dá primazia ao estilo de humor “nonsense” (disparatado) que  Lewis Carroll tornou famoso com o seu “Alice no país das Maravilhas”, usado com o mero propósito de divertir e fazer rir.



(A) Bela e a Fera, Clarice Lispector


Extrato: "Ele era triste e alto. Jamais falava comigo que não desse a entender que seu maior defeito consistia na sua tendência para a destruição. E por isso, dizia, alisando os cabelos negros como quem alisa o pelo macio e quente de um gatinho, por isso é que sua vida se resumia num monte de cacos: uns brilhantes, outros baços, uns alegres, outros como um "pedaço de hora perdida", sem significação, uns vermelhos e completos, outros brancos, mas já espedaçados".


(A) Legião Estrangeira, Clarice Lispector


Extrato: "Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão, e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele.
O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Em vez de nó na garganta, tinha ombros contraídos. Usava paletó curto demais, óculos sem aro, com um fio de ouro encimando o nariz grosso e romano. E eu era atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que, ofendida, eu adivinhara. Passei a me comportar mal na sala"...

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